quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O que Murdoch tem a perder se aliando à Microsoft?

A propósito da nota abaixo, análise interessante da ABC (em espanhol) sobre o que Murdoch tem a perder com a parceria - em uma palavra, audiência. Explica-se facilmente: enquanto o Google tem mais de 65% de market share (participação de mercado) no setor de buscadores on-line, o Bing mal alcança os 10%.

Por outro lado, inaugura um modelo alternativo e inovador de negócio para o setor - um setor, aliás, desesperadamente em busca de alternativas de receita (vide, aliás, o fechamento de 3 escritórios do Washington Post hoje)

O texto começa assim:

"Si finalmente se materializa la alianza entre News Corporation y Microsoft, el grupo de Murdoch habría apostado en su camino hacia el pago por contenidos por un buscador, Bing, que en estos momentos se encuentra en una posición bastante inferior a Google en el mercado de las búsquedas en internet."

Leia a íntegra aqui.

Dona da Fox quer parceria com a Microsoft para boicotar Google


Começou no Financial Times, e rapidamente ganhou Wall Street Journal, Guardian e toda a blogosfera, até chegar hoje à Folha de S.Paulo, a notícia de que um dos maiores grupos de mídia do mundo, a NewsCorp, do bilionário australiano Rupert Murdoch (dona do Times, WSJ, Fox e mais dezenas de meios) negocia parceria com a Microsoft para bater o Google.

O princípio é simples: Murdoch quer remover todo o seu conteúdo do Google News, o agregador de notícias do Google, e sugeriu à Microsoft que pague por ele para colocar os textos no Bing - o novo, e ainda carente de incentivos, buscador da Microsoft. Não custa lembrar que a participação de mercado do Google entre os buscadores está perto de 65% nos EUA...

Se a proposta vingar, representará uma guinada e tanto na indústria - hoje revoltada e organizando abaixo-assinados contra o Google. A causa do atrito é que o Google fatura com a audiência do Google News, vendendo espaço publicitário, sem dividir uma fatia da receita. O Google por sua vez se defende, afirma que só apresenta sumários das notícias e em seguida o link direto para o site do jornal usado como fonte - com isso, diz a empresa, gera mais de 100 mil cliques por minuto para a indústria de comunicação.

Os dois lados têm argumentos sólidos. Exigir que o Google News pague para apresentar resultados de buscas é o mesmo que Midialogismo exigir que o Google pague por apresentar resultados deste blog em sua lista de links.

Quem tem razão?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

YouTube se associa com Univisión


Do sempre relevante Knight Center:

A maior empresa de meios de comunicação hispânicos nos Estados Unidos anunciou um acordo para difundir sua nova programação em espanhol e também o seu material de arquivo —com programas das redes Univisión, TeleFutura e Galavisión— no popular site de vídeos, informam as agências AFP e Reuters.

O acordo, o último de uma série do You Tube com gandes empresas de comunicação, vai gerar lucro com a publicidade incluída na programação, ainda que os executivos da Univisión não tenham fornecido detalhes sobre a informação.

As novidades do site de vídeos não param por aí. Os responsáveis pelo You Tube também criaram um canal de jornalismo cidadão. O YouTube Direct vai operar como uma plataforma especializada em vídeos informativos de internautas de todo o mundo. O serviço vai permitir ainda que editores de TV ou de conteúdos audiovisuais online obtenham os vídeos para divulgá-los em seus meios de comunicação, explica o jornal El País.

Por enquanto, a empresa não pretende cobrar pelo uso dos vídeos cidadãos. “O incentivo consiste em ver reconhecido o seu trabalho por grandes organizações de notícias”, disse um executivo da companhia, citado pela matéria do El País.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

TJ defende reportagem do Fantástico com câmera escondida


Importante decisão do TJ-SP hoje. Acionado por uma esteticista acusada de exercer ilegalmente a medicina em reportagem do Fantástico, o Tribunal afirmou que “O interesse público envolvido na reportagem investigativa afasta a impugnação pela realização às escondidas, eis que relevante sua conotação ao menos como indício de cometimento de atos ilícitos ou irregularidades”.

Matéria do Consultor Jurídico aqui.

Com base no voto do desembargador Oscarlino Moeller, a Câmara entendeu que a reportagem não pode se comparar a um “flagrante preparado”, já que não visa a prisão da suposta infratora. “Apenas suscita à coletividade fato que merece maior reflexão e eventual reprimenda pelos órgãos públicos, não retirando da autora o direito ao contraditório e à ampla defesa, ou mesmo a possibilidade de pugnar pelo direito de resposta, a fim de refutar a ilicitude ou irregularidade de sua conduta”, disse.

O desembargador afastou, ainda, a alegação de que a edição da gravação representa abuso. Para Moeller, as afirmações mais graves são incontestáveis. Na gravação foi exibida reportagem intitulada de “Máfia da beleza”. O desembargador disse que o título da reportagem não pode ser considerada injusto.


A decisão na íntegra está aqui (arquivo em PDF). Teóricos do surveillance e da privacidade, não deixem de ler. Peça importantíssima para suscitar debates e estudos aprofundados.

domingo, 15 de novembro de 2009

Facebook vs. Declaração Universal dos Direitos Humanos?


(publiquei originalmente aqui, onde o leitor achará mais debates sobre internet, novas mídias, economia da informação e congêneres)
A Unesco, que sugeriu um workshop sobre Privacy, Literacy and Social Networking no IGF 2009 (Internet Governance Forum) começou com uma pequena bomba conceitual: redes como MySpace e Facebook simplesmente ferem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em seu artigo 12 diz:

"Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques."

Ora, mas "os incentivos para violar a privacidade são muito maiores do que os incentivos para protegê-la", pontuou, em sua fala final, o representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

O tema é complexo, mas inescapável. As redes sociais têm um impacto tremendo: segundo os panelistas, citando pesquisa da PEW Internet, 65% dos teens norte-americanos têm um profile em alguma rede social. Quanto menos desenvolvido o país, mais jovens os internautas.

O debate de fundo é: Junte-se juventude (e inexperiência e irresponsabilidade, segundo os panelistas) e disseminação exponencial das mídias sociais e cria-se uma bomba potencial.

David Banisar, diretor de Freedom of Information na Privacy International, propõe uma abordagem triádica do problema, o que parece fazer bastante sentido.Afinal, a mídia social "É sobre comunicação, mas também sobre controle". O tripé é sustentado por Tecnologia, Legislação e Educação.

O elemento mais importante parece ser o da educação - como não é possível escapar das novas tecnologias, que se eduque os usuários para entenderem o que está acontecendo e então tomarem suas decisões (informação para o movimento, para a tomada de decisão, o que me lembra conceitos da Iconomia). Outro panelista faz uma analogia interessante: é como levar uma criança à esquina e ensinar como o trânsito funciona. Se a criança atravessar fora da faixa ou sem olhar para os dois lados, terá problemas. No tráfego da internet é o mesmo, e a educação, internet literacy, precisa de fato começar no jardim de infância. Os menores devem saber que, se clicam em qualquer coisa na internet, alguém terá acesso a essa informação.

Mas é importante, num modelo triádico, reforçar os papéis de cada uma das "pernas" conceituais. Além da educação, é fundamental o apoio da tecnologia como salvaguarda da privacidade e segurança da informação (ou seja, privacidade não só contra cookies, mas também contra hackers, crackers e afins). Por fim, legislação, um framework legal, a definição de um marco civil, como está sendo feita no Brasil neste momento. A tecnologia sem a legislação, por exemplo, pode levar as coisas a tomarem outro caminho, muito diverso do imaginado.

As três bases devem ser semeadas paralelamente, intensivamente. A elas soma-se ainda a necessidade de rever modelos de negócio que contrariam os interesses da comunidade - o Facebook, por exemplo, recuou mais de uma vez de propostas polêmicas envolvendo informação de seus usuarios - não por causa de regulação, mas por causa da pressão de usuários descontentes, seus clientes. Há ainda um descompasso entre os business models e o que os usuarios querem.

Paralelamente ao debate emerge a questão do direito à "self-surveillance". Em outros termos, nós, como cidadãos, temos o direito de saber, a qualquer momento e de qualquer fonte, que tipo de informação está sendo retida sobre nós, e como está sendo usada. A dona da informação sobre uma pessoa só pode ser a própria pessoa, conceitualmente.

Agora, é relevante, e foi um aspecto pouco explorado no workshop 94 do IGF, colocar conceitos como privacidade em perspectiva histórica e cultural. Historicamente, há inúmeros exemplos de comportamentos que eram inaceitáveis para os nossos avós, mas que se tornaram comuns ou até desejáveis entre nossos filhos ou netos. A privacidade, aliás, para alguns autores é uma invenção da era industrial, já que na Idade Média era muito restrita, considerando famílias numerosas vivendo num mesmo cômodo.

Não iria tão longe, mas de fato as fronteiras entre privacidade e publicidade estão em movimento. Sob o prisma cultural, inclusive. Inúmeros sites de exibicionismo, fora o sucesso global da Endemol, Big Brother (inclusive em versão pay per view), provam que exibir (ou escarafunchar) a privacidade é um hobby de amplo sucesso. Em diferentes partes do mundo há noções diferentes a respeito, por isso a dificuldade de estabelecer um road map global.

Padrões Globais de Privacidade para um Mundo Globalizado

Documento importante de Madri sobre privacidade.

Padrões Globais de Privacidade para um Mundo Globalizado
Declaração da Sociedade Civil
Madri, Espanha
3 de Novembro 2009

Afirmando que a privacidade é um direito humano fundamental, como está expresso na Declaração Universal de Direitos Humanos, no Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, e em outros instrumentos de direitos humanos e constituições nacionais;

Recordando aos países membros da União Européia suas obrigações de cumprir as disposições da Diretiva de Proteção de Dados de 1995 e da Diretiva de Comunicações Eletrônicas de 2002;

Recordando a outros países membros da OCDE suas obrigações de manter os princípios que se expõem nas Dietrizes de Privacidade da OCDE de 1980;

Recordando a todos os países suas obrigações de salvaguardar os direitos civis de seus cidadãos e residentes sob as disposições de suas próprias constituições e leis nacionais, assim como sob as disposições do direito internacional sobre direitos humanos;

Antecipando a entrada em vigor das disposições que fortalecerão os direitos Constitucionais de privacidade e proteção de dados na União Européia;

Observando alarmados à dramática expansão da vigilância inexplicável e secreta, assim como a crescente colaboração entre governos e distribuidores de tecnologias de vigilância para estabelecer novas formas de controle social;

Também, destacando que novas estratégias para levar a cabo investigações sobre direitos de autor e conteúdos ilícitos representam ameaças substanciais à privacidade das comunicações, à liberdade intelectual e ao devido processo legal;

Além disso, destacando a crescente consolidação de serviços baseados na Internet e o fato de que algumas empresas estão atualmente adquirindo grandes quantidades de dados pessoais sem uma supervisão independente;

Advertindo que as leis de privacidade e as instituições para a privacidade falharam até hoje em levar em conta as novas práticas de vigilância, incluindo o perfil de conduta dirigido a usuários de Internet, bases de dados do ADN e outros identificadores biométricos, a agregação de bases de dados entre o setor público e o privado e os riscos particulares a grupos vulneráveis, incluídos crianças, emigrantes e minorias;

Advertindo que o erro na salvaguarda da privacidade põe em perigo outras liberdades associadas, incluída a liberdade de expressão, a liberdade de associação, a liberdade de aceso à informação, à não discriminação, e em última instância a estabilidade das democracias constitucionais;

A Sociedade Civil aproveita a oportunidade da 31ª reunião anual da Conferência Internacional de Autoridades de Proteção de Dados e Privacidade para:

(1) Reafirmar o apoio a um marco global de Práticas Justas de Informação que deposita as obrigações naqueles que coletam e processam informação pessoal e concede direitos àqueles cuja informação pessoal é coletada;

(2) Reafirmar o apoio a autoridades independentes de proteção de dados que tomam decisões, no contexto de um marco legal, de forma transparente e sem vantagens comerciais ou influência política;

(3) Reafirmar o apoio a Técnicas Legítimas de Promoção da Privacidade que minimizam ou eliminam a coleta de informação pessoalmente identificável e para la Avaliação de Impactos significativos da Privacidade que requerem o cumprimento de padrões de privacidade;

(4) Instar aos países que não ratificaram a Convenção 108 do Conselho da Europa junto com o Protocolo de 2001 que o façam, o mais prontamente possível;

(5) Instar aos países que ainda não tenham estabelecido um marco exaustivo para a proteção da privacidade e uma autoridade independente para a proteção de dados a que o façam, o mais prontamente possível;

(6) Instar a aqueles países que tenham estabelecido marcos legais para a proteção da privacidade a que assegurem uma implementação e cumprimento efetivo e a colaborar em nível internacional e regional;

(7) Instar aos países a assegurarem-se de que os indivíduos sejam imediatamente notificados quando sua informação pessoal seja revelada de forma inapropriada ou usada de maneira inconsistente com sua coleta;

(8) Recomendar uma pesquisa exaustiva sobre a adequação das técnicas que “borram” dados para determinar se de fato, tais métodos salvaguardam a privacidade e o anonimato;

(9) Pedir una moratória no desenvolvimento ou implementação de novos sistemas de vigilância de massa, incluído o reconhecimento facial, a tomada de imagens de corpo inteiro, identificadores biométricos, e as etiquetas RFID incrustradas, sujeitos a uma avaliação completa e transparente por parte de autoridades independentes e o debate democrático;

(10) Fazer um chamado para o estabelecimento de um novo marco internacional para la proteção da privacidade, com a plena participação da sociedade civil, que esteja baseado no império da lei, no respeito aos direitos humanos fundamentais e no apoio às instituições democráticas.

Facebook viola a Declaração Universal dos Direitos Humanos?

É uma questão levantada pela Unesco durante o IGF 09.

Lembrando o Artigo 12:
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Trabalho sobre o Twitter no Terceiro Simpósio ABCiber


Segunda-feira eu e Juliana Lima, da UEM, estaremos no 3o Simpósio Nacional da ABCiber, na ESPM, para falar de Twitter e linguagem - ou interlocução virtual.

http://www.abciber.org/simposio2009/

Depois posto aqui a apresentação baseada no paper. A ideia é aplicar pressupostos de Bakhtin, como o dialogismo, às comunicações do Twitter, cujo público-alvo mezzo incontrolável (via RTS e via seguidores desconhecidos) mezzo controlável (você é informado de quem o está "seguindo"). Como apoio, a teoria das faces sociais de Goffman.

Mais um cenário híbrido para confundir quem gosta do mundo preto no branco...

Mackenzie lança pós em jornalismo


É a primeira pós lato sensu em jornalismo do CCL. Estarei lá, na disciplina de Jornalismo Econômico. Mais: http://www.mackenzie.com.br/lato_sensu.html


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um semestre de tweets

Semestre corrido e momento de profundas transformações no jornalismo e na Economia da Informação. Até fevereiro, Midialogismo cede lugar ao Twitter (cujos últimos posts podem ser conferidos aí ao lado).

Obrigado pela visita, siga-me por lá!
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