quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Newsweek fará corte de pessoal e de tiragem, diz Wall Street Journal



Ainda não tive tempo de comentar o artigo obrigatório de Rupert Murdoch na Folha anteontem. Mas o farei em breve.

Enquanto isso, para minar o terreno do megaempresário da mídia, mais crise:

A revista americana Newsweek, que tem tiragem de 2,6 milhões de exemplares, cortará funcionários e cópias, segundo informou hoje o "Wall Street Journal".

Já começou o PDV na empresa, mas não se sabe ainda o tamanho do corte. O motivo são dois: queda de anúncios, claro, e queda de leitores, mais relevante, pq não tão facilmente localizável no tempo. Fenômeno contínuo, irritante e persistente em relação às mídias impressas - pelo menos nos EUA.

A tiragem pode cair em até 1 milhão de exemplares, 38% do total.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ronaldo Fenômeno vai para Corinthians - e para o Photoshop - na capa dos jornais

Foi o dia da fotomontagem.

Os jornais não resistiram à notícia de que o "fenômeno" (alcunha bizarra) Ronaldo fechou com o Corinthians. Não bastava, aliás, o enunciado verbal: no mundo do esporte, no mundo das imagens, é preciso mostrar, vestir a camisa.

O Photoshop foi escalado por publicações de todos os portes. Começando pela maior delas, a Folha de S.Paulo apresentou uma diagramação limpa e atraente, investindo na simetria, embora tenha achado a proporção da foto de Ronaldo pequena na página.



O recurso da fotomontagem não foi dos melhores, pois o brasão ficou totalmente artificial, mas isso pode ter sido intencional - afinal, o ulra-realismo talvez não faça parte da brincadeira. Ao menos o jornal avisa que se trata de montagem, algo fundamental para manter a transparência e a confiança do leitor.

Ao mesmo tempo, contudo, em comparação com outros jornais a "Folha" fica indecisa, no meio do caminho. Não faz uma fotomontagem realista, como o "Lance", nem fotojornalismo simples, como o "Estado".



O especializado Lance vai mais longe e investe em montagem sobre montagem. O Ronaldo comemorando é convincente, e a torcida ao fundo, apenas pano de fundo.
É realista e não avisa que se trata de montagem, terá certamente enganado muitos leitores hoje.

Curiosamente, nos jornais de SP o tom é de exaltação: Ronaldo é nosso. Nos cariocas, estampa-se a manchete "Traidor". Abandonou o pobre Flamengo.



Da gigante Folha ao diminuto Diário do Comércio, que inexplicavelmente segue investindo nas capas multifacetadas, multiconfusas. Nova montagem, honesta e bem feita (melhor talvez que a do Golias Folha?), e corretamente creditada/anunciada.



Já o Hollywoodiano Super Notícia, sempre entre os favoritos dos semiólogos, faz graça escrachada com um Ronaldo-Noel aproveitando exagerada e forçadamente o gancho do site do Timão, que anunciara um Natal Fenomenal.



O Bom Dia, da rede interiorana, não escracha, mas dá a manchete visual (as imagens seguem hierarquia análoga aos textos nas páginas, lembremonos!) ao jogador.



O Estado é mais "jornalão" ou jornalístico e menos entretenimento em sua abordagem: na loja do Corinthians, já estão à venda camisetas com o nome do jogador.



O Globo, talvez ressentido pela "traição ao Fla", não investe em imagem e dá chamada somente verbal para o tema.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tribune, do Los Angeles Times e Chicago Tribune, pede concordata

Mais crise.

A Tribune Co., controladora dos diários jornais Los Angeles Times, Chicago Tribune e Baltimore Sun, entre outros menores, além de 23 transmissoras de TV pediu concordata. A dívida da companhia soma US$ 13 bilhões.

A operação continua, diz a empresa, durante a reestruturação da dívida - a concordata funciona como um pedido de proteção contra a execução desordenada dos débitos.

Segundo o "Wall Street Journal", são US$ 1 bi só em juros da dívida que não poderão ser honrados, ao que tudo indica, neste ano.

O motivo central é a queda da venda de publicidade, ligada ao corte da verba de marketing das grandes empresas, ligada à menor demanda do consumidor... enfim, no círculo vicioso que tem caracterizado esta crise desde setembro, com a quebra do Lehman Brothers.

Bate no Brasil em 2009.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sobre programas de trainee em jornalismo / comunicação


O leitor Felipe me perguntou, em comentário de post anterior, sobre programas de trainee em jornalismo. Aproveitando o gancho da época de inscrições, comento.

Há vários programas de trainee no mercado, entre os quais ressaltaria o da Folha, do Estado, da Abril e da Globo - os maiores grupos de comunicação do país.

Desses, conheço melhor os da Folha, que fiz, em 2001, do Estado e da Abril, freqüentados por amigos.

O trainee do Estado me parece ter um perfil mais "acadêmico", digamos, ou mais analítico/expositivo. Inclui aulas de política, filosofia, ética e, claro, jornalismo. O ambiente não será muito estranho a qualquer recém-egresso de faculdade. Não há garantia de contratação ao término do curso.

[Aliás, um triste diferencial da área de comunicação: nossos trainees não pagam e não contratam. Em outros setor, como o trainee é entendido como líder do futuro, curso preparatório para gerentes e diretores, ele é contratado com bons salários (3.000 ou 4.000, mais benefícios) logo que aprovado na seleção ao programa de treinamento, que costuma durar um ano. Em comunicação, é um peneirão. Sem garantias.]

No trainee da Abril aprende-se a "fazer revistas". Pelo esquema de trabalho atual da editora, aprende-se também a fazer marketing e gerir orçamentos, funções altamente demandadas dos editores. É versátil, pluralista, e a maioria dos egressos acaba trabalhando por lá - embora penem alguns anos como frilas esporádicos antes de surgir uma vaga fixa, cada vez mais rara no grupo.

Sobre o trainee da Folha, que conheço mais de perto.
É certamente o mais "hands on" de todos, ou seja, sua proposta é ensinar a fazer jornal diário, fazendo jornal diário. Há palestras, passeios, minicursos, mas a ênfase é na apuração da técnica jornalística: pauta, entrevista, redação, edição. Curso puxado, que exige dedicação exclusiva. Creio que mais de 80% acabem trabalhando na redação após o curso, pelas estatísticas da editoria responsável. Mas é possível que outros 80% saiam ao cabo de 3 anos na redação, devido à praga do turnover que assola o mercado jornalístico paulistano e aos RHs pré-históricos que nele atuam.

Pelo que vejo - pura percepção subjetiva - o perfil buscado tem sido ano a ano mais rico. Já não basta falar inglês e ter se formado em boa faculdade de jornalismo. Entre os últimos aprovados há muitos que moraram no exterior, alguns com vivência acadêmica forte - até curso de doutorado -, outros fortemente envolvidos com atividades sociais, de preferência em outros países, e especialistas de todos os tipos e gostos: de gibis a química orgânica, passando por mercado de capitais e bandas da década de 80. A idéia, me parece, é diversificar a teia de saber da redação - o que obviamente tem prós e contras.

A prova de admissão é rigoroso. Mas para passar é fácil, basta, de fato, ler a Folha todos os dias pelo menos três meses antes da prova. Quase todas as questões dizem respeito a temas do noticiário.

A despeito de eventuais falhas, considero esses cursos de treinamento uma das melhores maneiras de entrar no mercado. A boa notícia é que há outras.
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