sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Anatomia (da morte) de um jornal - às vésperas de completar 150 anos, Rocky Mountain News fecha




A 55 dias de completar 150 anos de história, o jornal mais antigo do Colorado, nos EUA, fechou.

Hoje, o "Rocky Mountain News" publicou sua última edição. O tom é nostálgico, com tintas piegas, mas nem por isso menos tocante - o vídeo acima representa parte do esforço e indignação da equipe com o fato. Na galeria fotográfica, muita gente chorando, muitas crianças na assembléia final.




Pudera. Fundado em Denver em 23 de abril de 1859, o RMN sobreviveu às duas Guerras Mundiais. À Guerra da Secessão. À uma inundação que arrastou suas rotativas para fora dos galpões. Mas não resistiu à blitzkrieg dos agregadores de notícias na internet e à crise econômica mundial, que secou o crédito, tornando-o mais caro e escasso e dificultando a rolagem de dívidas - para o RMN, de US$ 130 milhões.

Tem outras glórias no currículo, como mostra a edição final especial. Foi o primeiro jornal "sério" do país a adotar o formato tablóide, em 1942, e mesmo no cenário adverso tirava 200.000 exemplares/dia (vendidos a 50 cents) e 600.000 nos domingos. Pelo site, mais de 2 milhões de visitantes únicos diários. Números de fazer inveja a qualquer jornal brasileiro, por exemplo. Mas insuficentes.


"Não apenas fechando as portas, mas morrendo", diz um dos artigos previsivelmente catastrofistas da bonita edição derradeira, que traz um suplemento de 52 páginas sobre o fim dessa história (que pode ser baixado página a página aqui). Uma coletânea de capas efetivamente históricas está aqui.

Vale a visita ao site e a leitura do material produzido pela própria redação, além de vídeos e fotos já citados. A redação, que tem mais de uma dezena de prêmios Pullitzer a bordo, pediu mais um dia, para terminar apurações em curso e formatar uma edição de sábado inesquecível. Não houve tempo, nem perdão.

Segue o rival, Denver Post, com aproximadamente o mesmo tamanho, a mesma tiragem e menos dívidas. O tempo dirá se ele se beneficiará da tendência monopolista que varre a mídia européia e norte-americana ou se também sucumbirá num mercado de leitores e crédito escassos.

Na contracapa, o expediente da publicação, pela primeira - e única - vez com a equipe completa.

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