Há muitas maneiras de se aproveitar o tradicional desenho de duas colunas monopolizando o principal bloco de texto de uma capa de jornal (discutível) e verticalizando a página (algo geralmente bom).
A "Folha" de hoje mostra a mais tradicional, seguida pelo "Globo", que adiciona pouca vibração com suas caixas. No outro extremo, com forte aposta na jovialidade do design, a "Gazeta do Povo" aumenta um pouco demais o volume, enquanto o pequeno "Cruzeiro do Sul" acerta - pelo menos nas duas colunas em questão.

Na Folha, o problema parece ser a falta de hierarquia no bloquinho e a cisão da página em dois tempos. À esquerda, o bloco internético, mesclando cor, imagem e texto em barra de navegação, com uso intensivo de chamadas mais curtas - embora contrastem com todas as afirmações acima os textos "Infraero" e "Remédio terá", que seguem lógica clássica. Nas duas colunas à direita, os textos têm todos - incluindo a manchete - praticamente a mesma altura. Para agravar a sensação de que o noticiário ali se neutraliza, as 4 chamadas em 1 coluna seguem fórmula idêntica de 4 linhas de título, compondo um perfeito jornalão tradicional. Fora isso, o volume de texto nas chamadas é suficiente, aliás, para praticamente dispensar a leitura do texto principal (o que, em alguns e por outros, pode ser visto como vantajoso).
No Globo, a fórmula é quase a mesma. A diferença são as margens que enquadram manchete e side ("Enquanto isso"), aliás, diferenciado pelo itálico. Também a própria colocação da manchete no bloquinho à direita - recurso que geralmente tipifica a construção da página segundo essa lógica - ajuda a quebrar a sua monotonia. Suspeito, contudo, que a vibração é um tantinho maior não por mérito especial, mas por falta de espaço, considerando o ocupado pelo título da manchete em quatro linhas. Há um pouco mais de variação aqui também porque "PMDB" e "Brasileiros" se diferenciam pelo corpo de texto (que não sofria variação nas chamadas da Folha) e pelo expediente da linha fina na submanchete. Além disso, ajudam as chamadas de vinheta azul ao pé da página.
A Gazeta do Povo parece partir para o extremo oposto. Dona do que considero um bem-sucedido projeto de redesenho, conduzido inteiramente por profissionais da casa, exagera, a meu ver, na dose a partir do bloco verão/saúde. Especialmente nos textos sob a vinheta Verão, as chamadas gritam (caixa alta extrabold) e, diagramadas com pouco espaçamento entre si, praticamente se anulam. Editorialmente, ressalte-se que não compõem um bloco temático, como parecia à primeira vista. Há desde Obama a comerciante preso em Curitiba. Ao lado, funciona bastante bem o bloco com vinhetas de cores diferentes e uma imagem produzida - tanto fria, mas eficiente. Quase ótimo, portanto.
Um exemplo muito bem-sucedido, na minha opinião, é o de hoje do sorocabano "Cruzeiro do Sul". Casado à Gazeta, resultaria ótimo. Apesar de todas as rebarbas do projeto, que carece de refinamento de tipografia, espaçamento etc., é mais feliz ao mesclar fotos ao colunão, evitando o efeito tedioso de cindir a página em duas: textos pesados e navegação/imagens dinâmicos. A página é inteira dinamizada, tratada homogeneamente.
Agora, outra questão relevante, que só tangenciei neste espaço até hoje, é se os jornais QUEREM de fato se tornar mais atrativos aos jovens e se dinamizarem, modernizarem graficamente. Já tive mais de vez a impressão que abdicaram, no Brasil, desse público (já tido como irremediavelmente afeito à internet) e resolveram investir no oposto: gente mais velha, mais "qualificada" e disposta a ler muito.
Boa questão. Embora, ressalte-se agora, agilidade e modernização do noticiário não sejam sinônimos de textos menos informativos ou saborosos.
A "Folha" de hoje mostra a mais tradicional, seguida pelo "Globo", que adiciona pouca vibração com suas caixas. No outro extremo, com forte aposta na jovialidade do design, a "Gazeta do Povo" aumenta um pouco demais o volume, enquanto o pequeno "Cruzeiro do Sul" acerta - pelo menos nas duas colunas em questão.

Na Folha, o problema parece ser a falta de hierarquia no bloquinho e a cisão da página em dois tempos. À esquerda, o bloco internético, mesclando cor, imagem e texto em barra de navegação, com uso intensivo de chamadas mais curtas - embora contrastem com todas as afirmações acima os textos "Infraero" e "Remédio terá", que seguem lógica clássica. Nas duas colunas à direita, os textos têm todos - incluindo a manchete - praticamente a mesma altura. Para agravar a sensação de que o noticiário ali se neutraliza, as 4 chamadas em 1 coluna seguem fórmula idêntica de 4 linhas de título, compondo um perfeito jornalão tradicional. Fora isso, o volume de texto nas chamadas é suficiente, aliás, para praticamente dispensar a leitura do texto principal (o que, em alguns e por outros, pode ser visto como vantajoso).
No Globo, a fórmula é quase a mesma. A diferença são as margens que enquadram manchete e side ("Enquanto isso"), aliás, diferenciado pelo itálico. Também a própria colocação da manchete no bloquinho à direita - recurso que geralmente tipifica a construção da página segundo essa lógica - ajuda a quebrar a sua monotonia. Suspeito, contudo, que a vibração é um tantinho maior não por mérito especial, mas por falta de espaço, considerando o ocupado pelo título da manchete em quatro linhas. Há um pouco mais de variação aqui também porque "PMDB" e "Brasileiros" se diferenciam pelo corpo de texto (que não sofria variação nas chamadas da Folha) e pelo expediente da linha fina na submanchete. Além disso, ajudam as chamadas de vinheta azul ao pé da página.
A Gazeta do Povo parece partir para o extremo oposto. Dona do que considero um bem-sucedido projeto de redesenho, conduzido inteiramente por profissionais da casa, exagera, a meu ver, na dose a partir do bloco verão/saúde. Especialmente nos textos sob a vinheta Verão, as chamadas gritam (caixa alta extrabold) e, diagramadas com pouco espaçamento entre si, praticamente se anulam. Editorialmente, ressalte-se que não compõem um bloco temático, como parecia à primeira vista. Há desde Obama a comerciante preso em Curitiba. Ao lado, funciona bastante bem o bloco com vinhetas de cores diferentes e uma imagem produzida - tanto fria, mas eficiente. Quase ótimo, portanto.
Um exemplo muito bem-sucedido, na minha opinião, é o de hoje do sorocabano "Cruzeiro do Sul". Casado à Gazeta, resultaria ótimo. Apesar de todas as rebarbas do projeto, que carece de refinamento de tipografia, espaçamento etc., é mais feliz ao mesclar fotos ao colunão, evitando o efeito tedioso de cindir a página em duas: textos pesados e navegação/imagens dinâmicos. A página é inteira dinamizada, tratada homogeneamente.Agora, outra questão relevante, que só tangenciei neste espaço até hoje, é se os jornais QUEREM de fato se tornar mais atrativos aos jovens e se dinamizarem, modernizarem graficamente. Já tive mais de vez a impressão que abdicaram, no Brasil, desse público (já tido como irremediavelmente afeito à internet) e resolveram investir no oposto: gente mais velha, mais "qualificada" e disposta a ler muito.
Boa questão. Embora, ressalte-se agora, agilidade e modernização do noticiário não sejam sinônimos de textos menos informativos ou saborosos.
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Pararam as prensas