sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Dia dos namorados nos EUA romantiza capas de jornal

Depois de comentar ontem a capa de corações e infartos estilísticos do Casa Grande Dispatch, registro rápido para nova capa, hoje, do Gwinnett Dailly Post (meu Deus, que logotipo difícil de ler! Me socorri do www anunciado sob a marca).

(Aliás, aproveito para um parêntese autoflagelante: logotipo não precisa ser necessariamente fácil de ler, como no caso da Coca-Cola, pode ser apenas fácil de reconhecer, marcante)

Retorno. É interessante refletir sobre 3 aspectos nesta capa.

1 - Há sim enorme desperdício de espaço na chamada romântica. E sim a capa é muito "vazia", tem poucas chamadas, e dá a impressão de um produto mal empacotado, com pouco conteúdo. Mas, apesar das 2 ressalvas, é mais elegante a ilustra de hoje do que a de ontem. A idéia e a execução, um pouquinho kitsch como convém para o tema, são ok, aceitáveis. Ontem, Casa Grande Dispatch era inaceitável.

2 - A estrutura do colunão duplo à direita se repete em muitos jornais americanos. Curiosamente, pois, para mim, é de um retumbante fracasso, pois não estimula a hierarquização dos tópicos e mistura às vezes 3 ou 4 chamadas em um mesmo nível de relevo.

3 - A chamada do alto, acima do logotipo, entre o jornalístico e o institucional - ok, mais promocional - é um recurso a ser ruminado. Tem seu valor, embora a apresentação deva ser cuidadosamente ponderada - é pesada a ponto de ofuscar todo o topo de página.

Com erros, acertos, ousadias e indefinições, é bom exemplo a dissecar.
No mínimo, seu coração bate melhor do que o do Dispatch.

Jornalismo ainda é das carreiras mais procuradas, mesmo com jornais em crise


É intrigante como a concorrência ao curso de jornalismo na Fuvest, maior vestibular do país, mantém-se no topo. No ano passado, foi o curso mais concorrido; neste, é o terceiro top, à frente de medicina e direito e quase empatado com relações internacionais, o número 2. Lidera um curso conjugado, pois também da área de comunicação, chamado publicidade e propaganda (ah, o glamour).

Mas vou me concentrar no curso de jornalismo agora. Ou melhor, em sua demanda. Por que tanta procura por um curso cujo principal contratante - a mídia impressa - está em franca decadência, sob risco até, para os mais afoitos, de extinção?

Quem acompanha Midialogismo sabe que o cenário é ruim nos EUA, péssimo na Europa e moderado/indefinido no Brasil (onde, por ora, as demissões se concentram em meios já sabidamente pouco sadios financeiramente).

Quem acompanha o mercado sabe que, jornalista mesmo, quem contrata são os meios impressos. As redações de TV tem poucos repórteres, e as rádios também usam equipes medianamente enxutas. Os onlines podem vir a se tornar uma exceção, com o crescimento do faturamento e a consolidação do setor, mas por ora são uma promessa (pouca gente, como G1 e UOL, por exemplo, investe em megaredações). Mas ainda nada se compara às centenas de profissionais em atividade neste momento na Folha, no Estado, no Globo, no Valor... O problema é a grande interrogação que paira sobre esse modelo de jornalismo, caro, de receita e leitura decrescente - de novo, espelho-me em exemplos do primeiro mundo.

Então por que a disputa tão acirrada para entrar nessa carreira? Por que não engenharia (prédio continuam a sem construídos, empresas, administradas), medicina ou direito, cuja demanda pé inapelavelmente segura?

Pergunto e respondo porquê. Porque este é o momento mais privilegiado dos últimos 50 anos para trabalhar na área. Para inovar, investir em novas formas de comunicação, encontrar novos meios de informar, com qualidade e relevância, o público. O modelo está em crise, carente de novas ideias, e elas precisam vir de algum lugar.

Só torçamos para que não venham das mesmas cabeças de sempre.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"Dispatch" reúne vários corações e termina com um design infartado

Os amigos do Casa Grande Dispatch conseguiram! São os homenageados do dia do Troféu Cascatinha de Pior Capa de Jornal do Dia.

O ponto alto é o uso absolutamente desnecessário e primitivo dos corações vermelhos fofinhos para ilustrar uma história de amor (na verdade, uma história de ciência, mas vá lá, sobre elos emocionais). O uso das ilustrações é tão primário que, à medida que os corações encolhem, são distorcidos, produzindo um resultado curioso para a moldura dos hamsters. Aliás, as fotografias não são propriamente medonhas, mas emolduradas como estão, e na proporção que ganham diante dessas molduras, com as quais devem brigar para sobreviver e captar nosso olhar, tornam-se quase um incômodo à vista.

Ironicamente, são corações supostamente fofinhos que tornam a página assustadora.

Mas a própria história não é ruim, inclusive bem escrita. É um raro caso, portanto, de design que mata uma história.

Geralmente, o mau design anda de mãos dadas com más histórias/pautas.

Mas quem dera fossem corações o único problema da página. Observe a hierarquia da coluna à direita. Que hierarquia? Difícil dizer, mas pelo menos sabemos que há um título com 4 linhas, supostamente mais forte. Por outro lado, "segura" texto menor do que a chamada imediatamente abaixo. Que, aliás, briga com a do rodapé.

Podem me apedrejar, mas simpatizei com o firework (mais parece uum incenso) do topo, sobre o logotipo. aliás, gosto até do logotipo bucólico.

Mas a associação com o algodão-doce à esquerda não dá certo, reconheço. São ilustrações demais. Tudo junto, o resultado é ruim. Prova de que, como na edição de textos, no design também é preciso fazer escolhas.

Pobres corações infartados.

(English version here)

Google compra fábrica de... papel


Num lance de amarga ironia, o Google, gigante da Internet, comprou uma empresa finlandesa de... papel!

Não, a empresa não está cogitando entrar no secular mercado de impressão industrial através da Summa Mill, mas sim em busca de novos data centers ao redor do mundo para abrigar servidores e acelerar buscas (seu carro-chefe) e uma infinidade de aplicativos web-based.

Leia mais no TechCrunch

É devastadoramente objetivo o comunicado da finlandesa:

"A despeito dos tremendos esforços de seus empregados, a fábrica não pode competir nos mercados de hoje e de amanhã usando fibras vegetais virgens, muitas importadas"

Nem hoje nem amanhã?

>(English version here)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Newsweek muda para sobreviver


Conforme artigo do sempre bom "New York Times" mostrou, a Newsweek, segunda maior revista semanal dos EUA, passará por grandes mudanças nos próximos meses em sua luta pela sobrevivência.


Humildemente, creio que estão no caminho certo. Como Midialogismo defende (agora em duas línguas), as mídias impressas têm de mudar para perdurar. Essa evolução obrigatoriamente inclui mais investimento em análise, transparência e ferramentas colaborativas.


A Newsweek escolheu a primeira opção, mais óbvia, mas ainda necessária e corajosa. A ideia, segundo o editor Jon Meacham, é abandonar o modelo de "cobertura obrigatória dos grandes eventos da semana".


“Isso está acabando. Se não temos nada original a dizer, não diremos. O negócio de perseguir os fatos mais importntes da semana e a muito custo adicionar uma ou duas informações exclusivas a ele não é sustentável".


A solução encontrada para estancar a sangria monetária foi tornar-se menor, em tamanho e audiência, e mais "premium" - cobrando portanto mais por seu conteúdo, opinativo, analítico.


Para nós brasileiros é infame constatar que a revista cobra US$25 pela assinatura anual, contra US$ 150 de Veja ou Epoca (que, por sinal, parecem saudáveis financeiramente).


É uma boa razão para cobrar mais, e para mudar. O problema é: a estréia será em tempos difíceis.


(English version here)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Em meio à crise, jornal Metro fala em expansão para o Rio


Primeiro o MM online, depois o Comunique-se anunciaram, valendo-se de declarações do presidente Antonio Teles, que o gratuito Metro (70% Bandeirantes, 30% Metro Internacional) pretende se expandir para o Rio no segundo semestre.

Timing esquisito, não só pela crise mas também pelo fato de o grupo ter anunciado, há poucos dias, a gaseificação de sua operação na Espanha (85 demitidos, 7 cidades, segunda maior operação do grupo no mundo, segundo a Folha de S.Paulo noticiou - para assinantes). Mais esquisito considerando as dificuldades de desbravar o mercado carioca com um tablóide gratuito - lembrando o poder dos baratinhos e popularíssimos Extra (O Globo) e Meia Hora (O Dia). Além do fato de a cidade já abrigar um Destak e um tal Metro Magazine, esses gratuitos tal qual o Metro. Obviamente a crise elevará à quinta potência esses desafios.

Estou curioso para saber da estratégia comercial e editorial (segundo declaração de Teles, a equipe será enxutíssima) do Metro para lograr nesse campo minado. Ousado, sem dúvida, ainda que vá para um mercado manjado - Rio, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Brasília não são novidades na cena jornalística, e o sucesso dos grupos Anhanguera e Bom Dia prova que dá para fazer diferente.

Enfim, boa sorte aos que vão. Quanto mais empresas de comunicação, maior e mais democrático o mercado, tanto melhor ao leitor.

Mas sói que sejam projetos economicamente viáveis.

Muita cor e pouca organização no paraense "Amazônia Hoje"


Difícil evitar a premiação hoje ao, como se dizia antigamente, "caleidoscópio" de chamadas, cores, histórias, fatos e fotos destacado pelo paraense "Amazônia Hoje". Merece ser laureado com o Troféu Cascatinha de Pior Capa de Jornal do dia.

A organização dos blocos informativos é sofrível, ausente. O uso de cores, confuso e atordoante. A âncora da página é a mulher de biquíni, mas colocada de tal maneira que é difícil sabe se ilustra a chamada da manchete, do cisne, do poeta morto ou do IPTU. Interfere de maneira agressiva sobre a foto dos policiais, prejudicando a leitura da imagem. Problema similar ocorre com o grande recorde de Ronaldinho no alto - interfere na manchete e poderia ser interpretado como parte dela, principalmente pelo azul de seu uniforme, que dialoga com o código de cores da chamada principal.

Aliás, é uma excelente oportunidade para abordar a importância de um código de cores (a chamada paleta) coeso.

Nos títulos há um uso quase deslumbrado da cor. Sem nenhum código lógico, o laranja se repete em "tormento", "hemorrágica" e "martins" - notícias que não dialogam entre si, não pertencem ao mesmo grupo temático. O "cisne" do título no meio da página é amarelo, embora não fosse preciso. E o excesso de textos negativados (branco sobre fundos coloridos) só faz dificultar a leitura, sem poder realçá-la justamente pela frequência com que o recurso é (ab)usado.

Ou seja, pinta um cenário caótico.

(English version here)

New York Times promove debate sobre futuro dos jornais


O "New York Times", ele mesmo na berlinda, promove um interessantíssimo debate sobre o futuro do jornalismo, com gente respeitável. Ou será futuro dos jornais impressos? Há que se tomar cuidado com a sinomímia.

A cultura da gratuidade é suicida, os jornais atuais são mesmo dispensáveis e terão de mudar para cobrar, fundações independentes poderão sustentar jornais... enfim, há um cardápio extenso e idéias a ser debatido.

Deguste.

Midialogism now in English!


Considering the expressive traffic from the US, UK and Canada that this blog have been receiving in the past weeks, Midialogism will from now on be also published in English here.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Diário 'The Signal' não consegue sinalizar o que é importante para o leitor


O The Signal - Santa Clarita Valley é o verdadeiro vencedor de hoje do Troféu Cascatinha. É uma escolha menos óbvia, mas didática e produtiva por sinalizar diversos aspectos que simplesmente não funcionam na capa de um jornal impresso.

Começa sendo "massuda" demais. A imagem de mais destaque - a âncora visual, como gosto de chamar - da página é... o logotipo! Sinal de algo errado, pois é nítido que a pista vazia e cinzenta de half pipe, ainda mais em tom cinza predominante, não chama muita atenção. Há também o problema da proporcionalidade/hierarquização: nenhuma imagem se assume como dominante na página - e, mais curioso, não há sequer um texto dominante. O título FEMA parece chamar mais a atenção, embora não muito, e sustenta texto menor do que os dois que vêm abaixo (half pipe e saving). As fotos do alto "enquadram" e oprimem o logotipo barulhento, e passam quase despercebidas como unidades informativas, pois parecem compor o bloco institucional do produto. Outra irritação: não há cortes nas fotografias: digo, não são horizontais nem verticais, não levam os olhos do leitor a nada nem dão movimento à página. São absolutamente estáticas, quadradas.

Não sou totalmente contrário ao recurso de iniciar matérias na capa do jornal, embora prefira evitá-lo (capas são capas, vitrines promocionais). A maneira como é usado aqui, no entanto, é sim condenável: todas as chamadas usam o recurso, de maneira que se privilegia a linguagem verbal e não se estabelecem hierarquias claras.

TV Cultura tira Opinião Nacional do ar e demite 31

A nota de crise do dia vem do Comunique-se, que informa que a TV Cultura, que passa por "reestruturação", a partir de hoje deixa de transmitir o Opinião Nacional.

Até aí tudo bem, mas também foram anunciados 31 demissões, quatro de jornalistas, como consequência da tal crise.

Hora de Santa Catarina e "A Maior Vergonha do Estado".

Merecia a reincidência no Troféu Cascatinha de Pior Capa de Jornal do dia, mas o Hora de Santa Catarina será poupado da homenagem, para não facilitar a vida do júri.
Ainda assim, registro para o brilhante uso do recurso de editar uma seqüência pequena de fotos - chamado no jargão de "cineminha" - que vira realmente um "cineminha" na capa do Hora, com direito a fita de revelação e tudo (a indústria ainda usa isso?). E as charges do colunistas na lateral aamrelada? Bacanuda, mas não páreo para a chamada mais medonha da página, o rapaz segurando um cartaz "ofertando" 1.500 vagas (de emprego, infere-se). É parte, embora seja difícil de identificar, do bloco "caminho do emprego - que, veja só, tem um caminho tracejado indicando o já indicado. Cara de publieditorial. Pior, a legenda engraçadinha da foto da Miss HSC.
As próprias caixa de legenda, aliás, em fundo amarelo interferem tanto na foto que viram um pavoroso ruído - compare na imagem do Avaí.
Merecia, mas vamos variar o cardápio. Seria fácil demais.
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