sábado, 11 de abril de 2009

Alunos de jornalismo trocam carreira no NYT por blog famoso; as faculdades estão preparadas?


Eu já havia abordado o tópico no post Jornalismo ainda é das carreiras mais procuradas, mesmo com jornais em crise. Agora, contudo, deu pano para mangas no blog do Knight Center esse mesmo tema intrigante.

Retomo rapidamente: se os jornais estão falindo nos EUA e na Europa, se a publicidade nas televisões despencou no mundo rico, se as demissões de profissionais de imprensa se tornaram frequentes e se as jornadas aumentaram no afã de produzir conteúdo para várias mídias, por que ser jornalista?

Sarah Lacy, colunista do blog TechCrunch, faz a mesma pergunta. E chega a uma conclusão adicional que eu não havia abordado no post acima: a concorrência às faculdades de jornalismo segue crescente, mas já dá sinais do Zeitgeist. Escreve Lacy:

"Quando pergunto a aspirantes a jornalistas onde querem estar em dez ou vinte anos, nenhum deles diz ‘New York Times ou Wall Street Journal’. Eles querem ter um blog famoso. E alguns já o têm"

Daí é uma outra questão que toma corpo: as faculdades de jornalismo estão preparadas para esse aluno e para esse treinamento e reflexão? Ou seguem atrasada no tempo, quando o bacana era ser repórter do NYT?

Como sói, ainda demora a tomar corpo no Brasil essa conversa. Aqui o bacana em geral é ser repórter da Globo. Menos para quem o é.

Los Angeles Times irrita leitores com anúncio travestido de editorial


O "Los Angeles Times" (da Tribune Company) chamou a atenção nesta semana por duas tangentes perigosas entre conteúdos editorial e comercial. A história ainda não terminou e dela não se extraem lições sobre a separação entre Igreka e Estado, mas definitivamente vale acompanhar via "New York Times".

No dia 9, quinta, saiu-se com a página acima, em que um anúncio da NBC em formato de L era meio anúncio (a parte horizontal) e meio "editorial" disfarçado (a vertical à esquerda).

E eis que o dia seguinte volta à carga com publieditorial de 4 páginas na seção de cultura, destinado a promover o filme “The Soloist”. De novo, faz-se passar por matéria independente.

Até aí pouco. O mais interessante é a mudança de paradigma: em ambos os casos, não foram as agência a sugerir as ideias ao jornal - e elas estão sempre sugerindo anúncios com cara editorial, que é uma forma de emprestar credibilidade ao conteúdo promocional. Não. Foi o Los Angeles Times que procurou a NBC e a Warner. A proposta de esfumaçamento de fronteiras entre Igreja e Estado era deliberada, calculada e chancelada pela instituição.

As defesas de sempre: há a demarcação de "informe publicitário" no conteúdo, a fonte usada é diferente da do jornal, para distinguir a seção, e as assinaturas são bizarramente trocadas para “special advertising section writer”.

Mais de 80 mensagens de leitores, críticas, caíram na caixa postal do ombudsman do LA Times. O que mostra que, à parte os esforços para distinguir anúncios e matérias, não são cores, fios e fontes que os distinguem aos olhos do leitor não especializado no tema. A discussão é longa e complexa pois a relação publi x conteúdo assume diversas formas, muitas das quais legítimas (um patrocínio de seção, por exemplo, sem interferência no conteúdo editorial, uma revista customizada...).

Não lembro de casos de anúncios assim em capas de jornais de grande circulação. Mas no miolo são rotineiras, para não dizer diárias, como os cadernos Fiat e informes Uninove da vida. Para pensar.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Google News ajuda ou atrapalha os jornais? Questão de perspectiva

Citado na matéria do NYT, no capítulo, desafios dos jornais à sobrevivência, o Google respondeu hoje às provocações da associação de jornais da Bélgica e à gigante Associated Press.

Resumo básico da ópera: empresários de comunicação ficam mordidos pelo fato de o Google "faturar milhões de dólares" (sic) com o agregador de notícias Google News. O serviço, vocês devem conhecer, reúne notícias de dezenas, centenas ou milhars de fontes. Uma busca nas notícias com a palavra Obama, por exemplo, trará milhares de resultados de publicações mundo afora.

Acontece que cada resultado não traz mais do que duas linhas de resumo da notícia, e o link subsequente leva o internauta à página do jornal em questão. Se for restrita a assinantes, encaminhará à página de registro.

Ainda assim, os jornais acham que o Google fatura às custas deles. E talvez tenham razão. Mas, em vez de entrar nesse processo e enxergar oportunidades de negócios, opõem-se. Na Bélgica, recorreram à Justiça para proibir o Google News de mapear notícias dos principais jornais do país. O Google recorre - até porque, se a moda pega, está decretada a inutilidade dos mecanismos de busca, que não poderão buscar nada no quintal alheio.

A discussão é complexa, como a maioria dos temas relevantes da vida, pois ambos os lados têm sua dose de razão.

Hoje, o Google disse que "ajuda os sites dos jornais a fazer dinheiro por meio de publicidade on-line e não utiliza seu conteúdo indevidamente”.

O que fica claro é que as empresas jornalísticas não sabem ainda como ganhar dinheiro on-line com o imenso capital que possuem. E o Google sabe.

Popularesco e ousado, maior jornal da Europa cresce na crise



Matéria no caderno Dinheiro deste sábado (tradução do "New York Times") usa o exemplo do maior jornal da Europa, o popular e populesco "Bild" (talvez um dos responsáveis pela metonímia de chamarmos hoje de "tablóide" qualquer jornal sensacionalista). O título alemão vende 3 milhões de exemplares/dia. Dez vezes mais do que a Folha, por exemplo, num país com menos da metade de nosso tamanho (termos populacionais).

Como o Bild cresce na crise? Primeiro, sustentado pelos leitores. A participação deles no faturamento é importante - diferentemente da fórmula americana e brasileira, onde anunciantes pesam muito mais. depender de milhões de clientes é mais seguro, por diluição de riscos, do que depender apenas do humor de Casas Bahia e Ponto Frio, digamos. Ousadia também é marca: em plena crise, o tablóide eleva seu preço de capa, mantendo-se saudável financeiramente - ante a esperada queda na fatia pubilcitária. Mais ousadia: a controladora lança diversos títulos, muitos deles concorrendo entre si, maximizando o conteúdo produzido nas redação. Em alguns casos, cita a matéria, jornalistas produzem material para seis publicações diferentes.


Cresce o papel dos editores, imagino. O tema da convergência e distribuição de conteúdos é emergente tem aparecido como central nesta crise. Tendências?
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